Carreira não é momento, é estratégia

Publicado em: 13/08/2011
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Carreira é um “bem” que deve ser tratado com muito zelo, cuidado e também com estratégia. Isto mesmo, estratégia.  Tratar a carreira com imediatismo, visão de curto prazo e pautada por decisões passionais geralmente levam a formação de profissionais com menor grau de empregabilidade no mercado. 

Dito isto, é fácil concluir que entrar em um processo seletivo para mudar de emprego também é uma decisão que deve ser pensada, analisada e tomada dentro um contexto e um objetivo de médio/longo prazo. 

Eu sei que ser convidado para participar de um processo seletivo ou mesmo ser acessado por um headhunter “faz bem para o ego” de qualquer profissional. Ainda mais sentir o gostinho de ter profissionais seniores do mercado mostrando interesse pelo seu perfil e dispostos a lhe oferecer vantagens para que você mude de emprego, também é tentador. 

Mas é preciso lembrar: entrar em um processo seletivo é o primeiro passo de uma decisão de carreira, não é uma brincadeira e nem um passatempo. 

Se você decidiu que quer mudar de emprego mesmo e já fez esta reflexão, ótimo! Vamos à próxima etapa. 

Na entrevista (seja junto a um headhunter seja no RH da empresa) em que a posição é aberta para você PERGUNTE MUITO!!! Nada de receios. Faça as perguntas que você quer saber de verdade e que você acredita que nesta etapa já podem ser respondidas. Exemplos: 

- Por que esta posição está sendo aberta? É um aumento de quadro? É uma substituição? (se for uma substituição,cabe saber o motivo que gerou a substituição). 

- Esta posição tende a crescer para onde? Este futuro da posição é uma idéia somente do requisitante da vaga ou da empresa? (caso o atual requisitante deixe a empresa, como fica a posição?) 

Se tudo estiver ok até aqui, siga no processo. Se você achar que não, muitas coisas não lhe deixam confortável logo de partida, não entre no processo seletivo.  O mesmo vale para as demais entrevistas feitas na empresa. Pergunte tudo. Faça as mesmas perguntas para diferentes profissionais da empresa e cheque a consistência das respostas; procure conversar com ex-funcionários da empresa; busque dados da empresa na internet, mas não só no site oficial da companhia. Redes sociais e blogs podem trazer informações interessantes. Leve estes dados para as entrevistas e cheque a veracidade junto aos executivos que forem te entrevistar. 

Se alguma coisa lhe incomodar, repense, reflita e se você achar que não vai rolar AVISE AS PARTES ENVOLVIDAS E PULE FORA!! Continuar envolvendo executivos da empresa, fazendo com que eles invistam o tempo deles em conhecê-lo e tirem suas dúvidas – sendo que você já sabe que não está afim – é falta de profissionalismo!!  E salário? Deve-se perguntar o salário em que momento do processo? No início. Deixe muito claro suas expectativas, seu pacote de remuneração. Isto quer dizer não somente o salário fixo, mas detalhes do variável (como é calculado, em que mês você recebe, o que estará perdendo se deixar a empresa agora, etc) detalhes dos benefícios (qual é o plano de saúde, qual é o matching da previdência privada, etc) e tudo o mais que você recebe  direta e indiretamente do seu empregador atual.  Se todas as informações foram bastante alinhadas durante o processo seletivo, a tendência é que a proposta (ou offer letter) que você receberá da empresa ao final do processo não chegue a ser uma surpresa – para nenhum dos dois lados! Lembre-se que a carta proposta trará – geralmente – apenas dados financeiros e de benefícios. Tão importante quanto, é também deixar alinhado todo o pacote “adicional” que virá junto com a ela: responsabilidade e grau de autonomia (sobre equipes pré-existentes, projetos, etc) e possibilidades de crescimento futuro na organização.  Se alguma coisa não lhe agradar na offer letter esta é a hora de falar!!! O que é combinado não sai caro, então negocie tudo o que lhe parece justo neste momento. 

Mas cuidado utilizar este momento apenas para ganhar vantagens de curto prazo (ou fazer um leilão entre sua empresa atual e a “pretendente”) vai jogar contra o seu profissionalismo e isto poderá lhe custar muito caro no futuro. Isto porque sua impressão ficará marcada  na empresa que lhe fez a oferta, na consultoria por onde você passou e na empresa na qual você trabalha, que pode passar a vê-lo como um profissional oportunista. 

Por experiência posso afirmar que mais da metade dos profissionais que aceitam uma contra-proposta do atual empregador se arrependem em até 6 meses. Geralmente porque todos os motivos que fizeram o profissional buscar uma nova posição continuam presentes e a remuneração adicional conseguida no “leilão” é rapidamente incorporada ao seu padrão de vida e não “compensará” mais suas reais insatisfações. 

Carreira não é momento, é estratégia. 

Boa sorte!